ROBERTO RUTIGLIANO.
O estudo musical, quando é bem organizado, permite aproveitar melhor o tempo disponível e alcançar resultados mais consistentes.
Ele pode ser estruturado em três eixos complementares, que se reforçam mutuamente: estudo fora do instrumento, estudo técnico e estudo musical propriamente dito.
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Estudo fora do instrumento
Existe uma parte fundamental do estudo musical que pode ser desenvolvida sem o instrumento. Esse tipo de prática fortalece a compreensão musical e prepara o músico para aproveitar melhor o tempo de execução com o instrumento.
Esse estudo pode ser feito por meio da escuta ativa, da leitura silenciosa da partitura ou do canto interno, também chamado de audição mental, do material que está sendo trabalhado.
Ele pode ser encaixado em diferentes momentos do dia, como durante uma caminhada, em uma sala de espera ou no transporte público.
Esse eixo pode ser dividido em dois momentos: familiarização e análise musical.
Escutar várias versões de uma música e cantar o tema ajuda a criar familiaridade com o material. Esse processo permite reconhecer partes da obra, identificar ciclos harmônicos, andamento, forma, tensões e características específicas de cada composição.
Além da escuta e do canto, o tempo livre pode ser usado para refletir sobre variações rítmicas. Pensar em diferentes formas de sentir e organizar ritmos em 3/4, por exemplo, é uma atividade que pode ser desenvolvida fora do instrumento.
Também é importante compreender que a mente continua processando informações musicais mesmo em momentos de repouso. Quando mantemos a música ativa no pensamento, esse processamento interno contribui para a assimilação do conteúdo estudado.
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Estudo da técnica
Cada instrumento exige um estudo técnico específico. No caso da bateria, esse estudo envolve sonoridade, coordenação, padrões rítmicos, leitura, relaxamento, independência e controle do tempo, entre outros aspectos.
Esse tipo de prática exige o instrumento em mãos e um alto nível de concentração. Mais importante do que o tempo investido é a qualidade da atenção durante o estudo.
O estudo técnico pode incluir passagens difíceis do repertório, exercícios de relaxamento, desenvolvimento de resistência, prática com metrônomo, concentração e leitura, entre outros elementos.
Trata-se de um campo amplo, que deve ser organizado de acordo com as necessidades específicas de cada músico.
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Estudo musical
O estudo musical propriamente dito consiste no trabalho direto com o repertório. Nesse momento, o músico já conhece as músicas, está familiarizado com o material e possui uma base técnica suficiente para desenvolver a interpretação.
No caso da bateria, é necessário observar sonoridade, estabilidade rítmica, consciência de forma, improvisação, dinâmica e outros aspectos interpretativos.
Atualmente, é possível estudar com o auxílio de softwares que removem o instrumento das gravações originais. Além disso, o estudo também pode ser realizado sem som, utilizando a audição interna e explorando mentalmente as possibilidades musicais da obra.
Conclusão
Ao utilizar o tempo com um propósito claro, como aproveitar momentos de repouso, estudar técnica por 15 minutos diários e dedicar mais 15 minutos ao repertório, o músico pode alcançar um crescimento significativo em poucos meses, mesmo com uma rotina reduzida de estudo.